quarta-feira, 17 de março de 2010

Everybody is seeking for happiness...

17 de marco de 2010, St. Patrick's Day. Resolvi que era um dia digno de comemoracao (comemorar o que mesmo?) e achei que seria uma boa ideia sair pra algum lugar. Como St. Patrick's Day eh um feriado irlandes, achei q seria uma boa ideia ir ao Irish pub. Eu fui dirigindo dessa vez, ja que ter conseguido minha habilitacao da Virginia foi uma conquista mto grande, principalmente levando-se em consideracao o fato de que ha 2 meses eu chorava so de pensar em ter que dirigir.

Saimos eu e a Eveline (como sempre) e fomos na Ross, comprar alguma blusinha verde. Nao sei oq que acontece, mas as roupas aqui sao mto feias! Ou pelo menos as roupas que me servem sao... Comprei duas blusinhas, duas bolsas e um sapato, me troquei no carro e sai em direcao ao Ned Devines, um Irish pub em Centreville. Como a casa da Larissa ficava no caminho pra esse bar, passamos na casa dela. Suas kids quiseram nos conhecer e a menina mais velha perguntou de onde eu era porque falava como uma americana. Ela nao eh a primeira pessoa que me fala isso. Entao a Larissa foi se arrumar rapidinho e ficamos no carro. De repente eu disse "Vamos apagar essa luz pq senao eh capaz da bateria do carro acabar e a gente nao conseguir sair". Dez minutos depois ligamos o carro e nada...fazia um barulho estranho do lado do motorista e nao ligava. Tentei varias vezes, mas nada adiantava, entao chamamos o host da Larissa. Adivinha o que era? A bateria, eh claro. Ele teve que ligar a bateria do carro dele na da van e eu sai morrendo de medo do carro morrer no meio da rua (depois o Craig me disse que isso nao acontece).

Chegamos no tal do bar e tava todo mundo de verde, em comemoracao ao tal feriado. Assim que entrei ja bateu aquela sensacao de "eu-devia-estar-em-casa,na-minha-cama". Olhei em volta e vi aquele monte de gente dancando ou amontoada nos cantos. Em seguida veio aquela pergunta "por que eh que eu to aki mesmo?" e a resposta obvia "pra se divertir". Acontece que aquilo nao eh a minha ideia de diversao. Como pode ser divertido ficar num lugar barulhento demais pra se conversar, com gente se esfregando uma na outra, cheiro de cigarro, chao grudento e sem saber dancar? Se as pessoas gostam tanto de dancar, pq nao dancam em casa? Eu bem que tentei, mas realmente nao gosto desses lugares. Acho tudo ali tao vulgar, tao vazio... Mas ai me veio outro pensamento na cabeca: "e o que seria diversao pra vc?" E a resposta timida "nao sei...". Eh verdade. Eu nao sei.

Se alguem me perguntasse quando foi a ultima vez em que eu realmente me diverti eu diria que foi ha quase 9 anos. Eu tinha 15 anos e gostava de sair pra andar de bicicleta com minhas amigas e com quem mais tarde seria meu namorado. Mesmo quando chovia ou quando o sol ardia no asfalto a gente acordava cedo e saia com nossas bicicletas de casa em casa, chamando todos os nossos amigos pra um passeio. Era tao bom. Eu nem lembrava que morava num bairro perigoso, que poderiam roubar nossas bicicletas ou ate mesmo nos atropelarem. Eu nao tinha essas preocupacoes. Eu nao tinha os medos que tenho hoje. No comeco era um pouco cansativo, mas depois meu corpo foi se acostumando e eu posso dizer que ainda nao vivi nada tao gostoso quanto descer aquele descidao do parque Chico Mendes de bicicleta. Era bom demais! Mesmo sabendo que seria um sacrificio subir tudo de novo, empurrando a bicicleta. Eu era tao feliz. Gostava tanto de mim mesma. Depois disso, acho que meu ultimo lampejo de felicidade foi ha quase 7 anos. Lembro ate a data: 03 de dezembro de 2003. Era o ultimo ano da escola e aniversario daquele que mais tarde acabou mesmo sendo meu namorado - e com quem eu ja tinha terminado. No ultimo ano do ensino medio costumavamos passar a tarde na casa de uma de nossas amigas. Naquela tarde passamos a tarde na casa da Pri, que morava perto da escola. Acho que comemos arroz e salsicha (eu ainda comia carne) e mais tarde a outra Pri chegou com a Any. Se nao me engano, estavamos em 5 meninas, espalhadas pela cama e pelo chao do quarto da Pri. A Lu e eu tinhamos um encontro mais tarde. Eu estava mto afim do garoto, mas como sempre, achei que ele estivesse interessado na minha amiga. Anos mais tarde descobri que, na verdade, ele estava mesmo era interessado em mim. Pena so ter descoberto bem mais tarde...Mas naquela tarde nao sabiamos disso, so sabiamos que tinhamos 17 anos, que a escola estava acabando e nao tinhamos a menor ideia do que iriamos fazer de nossas vidas. A Pri S. e a Any, virgens aquela epoca, perguntavam tudo para a Lu e para a outra Pri, que respondia a tudo com a maior naturalidade do mundo, entre um cigarro e outro. Com excecao da Pri M., hj ja nao falo mais com nenhuma delas. Sei que a Pri S. se formou em Publicidade e Propaganda, a Pri M. casou, tem uma filhinha e esta fazendo Direito, a Lu se tornou irreconhecivel e eu simplesmente me perdi da Any. Eu entrei na USP e confirmei minha nerdice. Em compensacao, nunca mais tive sorte no amor. Parece que foi o preco que a vida cobrou de mim por ter entrado na USP. Nao da pra ter tudo...

Hoje sou aupair nos EUA (quem diria!) e tento fazer novas amizades, cedendo um pouquinho mais a cada dia, mas cada vez mais eu percebo que nao estou sendo nem um pouco feliz, que essa historia de ceder esta me fazendo sentir falsa comigo mesma, como se eu estivesse aniquilando uma parte de mim que, na verdade, eh essencial e ate boa, eu diria. Toda vez que entro numa dessas baladas ironicamente me lembro das sabias palavras de Morrisey:

"'There's a club if you'd like to go, you could meet somebody who really loves you!' So you go and you stand on your own...and you leave on your own...and you go home and you cry and you want to die. When you say it's gonna happen now, when exactly do you mean? Cuz I've already waited too long and all my hope is gone."

Nao importa oq eu faca, eu nao consigo ir pra esses lugares sem me sentir futil, vazia, burra e idiota. Nao consigo ficar tirando mil fotos pra tentar ter um angulo digno de ser publicado no perfil da porcaria do orkut. Nao consigo segurar uma garrafa de cerveja a noite inteira e fingir estar contente. Nao consigo ficar em pe ate as 2h da manha, sorrindo pra todo mundo e nao pensar na minha cama. Talvez eu seja uma velha mesmo, antiquada demais para o meu tempo. Ou talvez realmente tenha alguma coisa errada sobre o conceito de diversao pq pra mim aquelas pessoas nao pareciam nada alem de pateticamente tristes, desesperadas por um pouquinho de afeto, de amizade, de distracao e algumas ingenuas o suficientes pra esperarem ate mesmo por um pouquinho de amor. Realmente, tem alguma coisa mto errada com o conceito atual de diversao.

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